Home Data de criação : 07/02/07 Última atualização : 08/12/14 14:37 / 451 Artigos publicados
 

IMPRESSÕES - Rose Kelly  escrito em quinta 08 fevereiro 2007 21:24

A noite é viva desde o ocaso
e meu ouvido espreita.
Com medo penso: são passos.
Mas é a noite,
gemendo, falando, cantando.
Ela tem os seus barulhos,
muxoxos como velha na cadeira,
que range e ri.
Sozinha rege os grilos.
Arregala os olhos até amanhecer
pois assiste as tragédias:
um velho apanhou até morrer,
uma criança foi vendida,
mas a testemunha escura
não pode testemunhar,
nela não há luz!
O gato grita seus espinhos na garganta,
o cachorro, suas mazelas,
a noite responde,
só ela conhece tudo, pois vê.
Eu, só imagino, e desconheço.
Com os olhos acordados,
em pé feito galho seco
tento decifrar.
Foi passo,
foi gato,
foi vento?
Às vezes sim,
ou foi só a noite se mexendo na cama.
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AFÃ - Rodrigo Michell  escrito em quinta 08 fevereiro 2007 21:22

Te olhava mas você não via,
te amava mas você não sentia.
Aos poucos você partia
e cá me deixava neste desencanto.

Onde tu andas
doce criatura
de olhos afáveis
de rosto vaidoso
ao qual me rendo.

Escondes-te de mim
por outras ruas?
Encontras-te à casa da outra?
Eu que deixei esta vida
para estar a ti
e tu foges de mim?

Voltas para mim
doce encanto.
Tenha-me
em teus braços libidinosos
renda-se outra vez
aos meus agrados.

Te olhava e te olhava
mas realmente não me via.
Te amava loucamente
e este amor ao qual fui fiel
tu cravaste no chão,
vazando meu peito
lamúrias de amor.
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INTERNET - Fernado Troncoso  escrito em quinta 08 fevereiro 2007 21:19

Sentei a frente de uma pequena janela
Uma janela que brilha e encanta
Na frente dela vi passar o mundo
Lembrei o passado, vi o presente e sonhei o futuro.
Vi as sete maravilhas do mundo
Descobri belezas e encantos
Mas também vi as desmazelas da vida
Conheci pessoas de todos os tipos
Aonde brinquei, sorri e também chorei.
Aqui menti, seduzi e fui seduzido.
Aqui ofendi e fui ofendido
Aqui também odiei e fui odiado
Também fiz amigos e tive amores
Mas aos meus amigos e amigas
E aos meus amores e encantos
Desci e tirei meu manto
Rasguei a minha fantasia de Pierrô
E desnudei minha alma
Confortei e fui confortado
Não iludi e não fui iludido
Amei e fui amado
Mas disso tudo quis e não quis
Tudo que vi e vivi me fez pensar
Pensar que é assim que a vida a de fluir.
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TELÚRICO - Neusa Fontes  escrito em quinta 08 fevereiro 2007 21:18

A poesia brota
Quando estou triste
Quando estou sóbria
De porre em mim.

Escuto a canção
Me perco na letra
Enquanto a melodia
Arranca águas de mim.

Se choro ou escrevo
Isso já nem sei mais
Só sei que as palavras
Vertem feito lágrimas
São lágrimas de mim.

Ah, mas há uma grande diferença
De se estar e ser assim.
Isso é apenas um bem-estar
Onde começo a poetar
No papel, pingos de mim.

Então sou terra dos meus poemas
Eles brotam do meu interior
Quisera fosse só flores
Que irrompesse de minhas entranhas
Quisera falar só de amor
Hospedar flores, feito montanha
Que imóvel, aceita o que lhe brota.
Mas sou humana!
E brotam coisas que nem cabem em mim.
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SOB OS ARVOREDOS - Marcos Paulo Tartari  escrito em quinta 08 fevereiro 2007 21:16

Não posso deixar que meus medos prevaleçam.
Não posso seguir devotos encantados
Nem políticos, de qualquer espécie.

Não posso deixar que a poesia, ou a boemia
Me dêem as respostas que procuro
Sobre dúvidas sem esperança.

Não posso deixar suas lágrimas rolarem
Caindo em silêncio na doçura dos teus lábios
Apesar de saber que são lágrimas sinceras
Que lhe restaram desde a dor no parto
E que agora pertencem a você por ser mãe
Mar que dantes nunca navegastes.

Não posso destronar todos os Reis que conheço
Cada vez que os impostos aumentarem.
Prefiro pagá-los como se paga amor com beijos
Como se apaga o remorço pensando que é inverno
Como se apaga a luz quando se diz boa noite.

Estou agora tentando correr pelo vale
Mas sinto que sob os arvoredos minha luz não brilha
Preciso atravessar a ponte
Beber a doce fonte no amargor dos meus passos.
Cada gota d'água me faz lembrar
O doce sorriso que muda o destino
Da lágrima que escorre na maçã do teu rosto
Que eu nunca pude conter...
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