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SOL DA MINHA ALMA - Vilma Oliveira  escrito em sábado 26 julho 2008 22:01

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O sol da minha alma em sonhos me disse
Que eu me olhasse no espelho das águas
E nas profundezas para longe partisse...
Sem nuvens pesadas, tristezas e mágoas!

Mergulho no tempo que me deu a ilusão
A flor dos meus dias sem viço, cansada,
Enfeita e perfuma esse meu coração
Meu corpo, essa vida semi-sepultada!

Tua voz é o sussurro, deleite que aspiro,
Canto delicado dos pássaros nos ninhos,
A suave magia do olhar que admiro;

Tua boca é o orvalho caído dos céus,
Em gotas banhadas de doces carinhos,
Em lírios de sonhos nesses lábios meus!

Vilma Oliveira

Tela: Irrealidades - Nela Vicente

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DOR DE CORAÇÃO - José Luiz Dias  escrito em sábado 26 julho 2008 03:08

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Meu coração quer soluçar mas em paz
Pois não agüenta reviver destes traumas
E, de sofrer, ele está fraco e incapaz
Que as cicatrizes rompem co’as dores da alma.

Talvez não saiba como doe. É tão voraz.
Faz, da esperança, perder a sua alegre calma
Pois quem eu tanto amo não me ama mais
E que, remédio algum, me cura e me acalma.

O que se passa em meu ser talvez revolte
Quero que, a ânsia de que você ir, não volte.

Meu coração, cheio de paixão, lhe consome
E de tão frágil clama seu doce nome.

Volte e refaça este sofrer infeliz
E venha, sem medo de amar, ser feliz...

(23/02/2008)

José Luiz Dias

Tela: Golden Dreams II - Alfred Gockel

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JASMIM DO CÁRCERE - Benny Franklin  escrito em sexta 25 julho 2008 03:16

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1
Carnívoras fumaças de outros UFOS vindas
circuncidando-se por entre lágrimas
de poemas belemitas
e cadáver de valeta
em decomposição.

(Meça-se o prumo do desejo...)

Lúgubres palavras desdentadas
fingem domar o monstro
de nossas ilusões todas

— Fuzis jugulam o pasto e são desprezíveis...
— Soldados velam os alimentos do vazio
e poema nenhum
se suicidará no sexo de nossas línguas todas.

2.
Vistosas
e garbosas cerejeiras sacrificam
o orgasmo dos automóveis.
Tristonhos betumes
aquecem destinos
e aqueles insensíveis faróis
na curva menstruada
habitam crus
em carnosas
gozações das palavras.

3.
Oh! jasmim do cárcere!
Se os nossos deuses
revelassem o segredo que nos circunda
e estancassem também a tsunami
que nos engole
— Oh! Flor! —
Eu imploraria o atrevimento de todos
desatando as algemas.

Mas receio, fino olor,
que nos asfixiemos
um dia
com o açoite das nossas
próprias verdades.

Benny Franklin
Tela: Mãe Natureza - Nela Vicente
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No Princípio - Ricardo Movits  escrito em quarta 23 julho 2008 12:27

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No princípio não havia
Nem a noite, nem o dia,
Nem a luz ou escuridão.
Era o nada infinito
Como som, tornou-se grito
Como voz, virou canção

E cantou a melodia
Onde o silêncio havia
Poderoso como um Rei
E a música existindo
Destronou um Rei sorrindo
Proclamando a nova Lei

E a primeira das conquistas
Era dar aos seus artistas
O poder da criação
O poeta é coroado
E conquista seu reinado
Na cadência da paixão

E metrificando risos
Vai criando paraísos
Sem lembrar da tentação
Que surge verbalizada
E o demônio está em cada
Tentativa de união

Mas o artista é teimoso
E seu linguajar vaidoso
Neutraliza o guardião
E o poeta vencedor
É o resumo do amor
Vivo em cada coração

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Ricardo Movits

Tela: Fun in the Sun I - Alfred Gockel

 

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E minhas filhas nasceram... - Fabiana Buono  escrito em terça 22 julho 2008 12:33

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...Primeiro um desconforto
seguido de um medo,
meu corpo sendo alterado
e minha mudança na seqüência,
uma gestação repentina;
dessas que vem sem convite,
que muda o rumo de quem recebe
e acolhe a vida
de quem espera chegar...

Ser mãe era uma pergunta,
ser mãe se tornou resposta
e quando eu menos queria ter filhos,
em mãe tornei meu destino...
mas que precioso foi meu primeiro encontro,
minha liberdade
que eu pensava perdida
ganhou novo nome:
filhas de minha vida,
frutos de meu corpo
que enviadas pra mim
me libertaram de uma vida mesquinha
que eu tinha
e dizia ser só minha...

E minhas filhas nasceram;
e passei dias apertados,
e passei dias questionando
e hoje passo todos os meus dias amando...
Assim todo desconforto
se tornou em vida
e minha realidade
virou um sonho que nunca sonhei,
mas é dela que minha alma respira...
e minhas filhas nasceram
e junto com elas
pude nascer também.

Fabiana Buono

Tela: The-Three-Ages-of-Woman-c-1905 - Gustav Klimt

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