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Desumana - Adriana Cavalcante Rego  escrito em terça 12 agosto 2008 04:10

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Não se desespere
Quando o show termina
E a máscara cai
Como folha levada pelo vento
Tonta, perdida e alucinada
Não sabe sequer aonde vai
Não chore!
O sangue fervilha nas veias
No jogo da vida
A astúcia e a malícia tão feias
Não demora muito a aparecer
E o mundo logo conhece
A verdadeira face
Que pensaste
Iria para sempre esconder
Não ouses pronunciar meu nome,
Nessa boca fétida e profana
Onde o ódio celebra o pecado
E os vermes um dia
Na sua lingua insana
Matarão a fome
No inerte monstro
Mulher desumana!

Adriana Cavalcante Rego

Tela: Zodiac - Alphonse Mucha

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Conto - Rosa Panerari  escrito em domingo 10 agosto 2008 16:51

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Pendiam soltas entre dedos, as mãos,
Sustentavam-se frouxos nos lábios, um sim e dois nãos,
Deslizava por entre os fios um vento que a buscava em seus cabelos,
E ao encontrar sua face, rubra e lisa, arrepiava seus pelos.
Seguiam-se sóbrios, seus dentes num sorriso,
Vago era o motivo, e breve, num dia impreciso.
Caminhava contra as próprias pernas,
Deixando pra trás um caminho de coisas eternas,
Sem querer saber da duração, nem do valor,
Esquecidos, há tempos, em um labirinto sem cor.
Zumbia ainda em seus ouvidos os sons do último dia,
Em sua febril ansiedade, se foi hoje ou no mês que passou, já não sabia.
Só o que sabia, era agora ser livre, livre para ser quem já nem lembrava,
Mas iria descobrir, pois já não tinha medo, nem pressa; era como sonhava,
Tinha novos pontos de vista, sabia de todas as coisas, sem, no entanto, lembrá-las,
Altiva, flutuava leve sobre suas ruínas, sem pisá-las,
Estava mais perto do céu.


Rosa Panerari

Tela: Tuesday's Child- Michael Parkers

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MEU PAI - Gustavo Drummond  escrito em sexta 08 agosto 2008 16:47

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Madrugada chuvosa, tão cedo,
foste embora, deixou-me com meus medos,
tantos anseios, sem meios
de dizer adeus.
Chuva de estrelas, pranto,
Homenagem do céu.
Seus ideais sepultos,
Seus planos findados,
antes de terminados.
Calada a voz que gritava gols,
pelos campos do mundo,
pelos jogos da vida, destruida.
Locutor emudecido,
Poeta sem versos,
Cronista; perdida inspiração.
Precoce, morte,
Eterna vivência;
deixaste de herança,
a coragem pra dizer a verdade,
Ficaste, perene, na lembrança;
na alma criança, no peito aflito;
um grito que não cala.
Saudade que não sara,
e fica...
Vazio que não se preenche,
Está em mim,
nas minhas preces,
nas minhas dúvídas,
nas horas duras,
na alegria triste,
porque não existe
voce.
Guerreiro,
Herói,
Idólo,
Super tudo,
O homem do meu mundo,
Espelho, que reflete
a paz.
Quem sabe um dia desses,
dê uma chegada aqui
Numa fuga inesperada,
Uma palavra, um beijo,
Um sorriso, surpresa grata,
um único desejo;
Depois volte pra lá...


Gustavo Drummond

Tela: Retrato do Dr. Gachet - Vincent Van Gogh

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O Poder dos Sonhos - Hildebrando Menezes  escrito em sexta 08 agosto 2008 02:05

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O sonho é o ensaio da realização.
É o esboço... Rascunho da ação.
Quem não sonha, apenas sobrevive...

Sem a emoção da preparação

Para a plenitude da floração
O sonho te conduz... Seduz!
Prepara para um ser transcendente

Ao final... Lá na ponta dos teus anseios...

Como a te mostrar sem receios
A luz que te ilumina e incendeia
Na tua própria imaginação

Do que poderá vir a ser em construção

Porque em potência tudo é possível
Acredite e não vacile... É plausível!
Invista! Creia! Mesmo inverossímil

Entra com tua alma no inatingível

Que é chegada a hora pela aurora
Fustigada pela sanha das esperas
Os sonhos não são apenas quimeras

São espíritos a nos conduzir pelas estradas

A nos mostrar as reais possibilidades
Para se alcançar a verdadeira felicidade
Então... Não desdenhe pela dificuldade

Pelo contrário... Coloque intensidade!

Que o desejo vira uma bela realidade
Mas é necessário também serenidade
Para não ser reflexo de insanidade

O amor... Objetivo maior... Há que ter lugar

Porque é a pista... A sutil morada tão esperada
Que retratará... Conduzirá na derradeira jornada
De quem planeja os melhores próprios passos...

Até que tudo se alcance ao sabor do compasso.


Hildebrando Menezes

http://hildepoeta.blogspot.com/

Tela: Flower Angel - Elvira Amrhein

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Mulheres, mulheres! - Vlad Silva  escrito em quinta 07 agosto 2008 02:05

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Se sorrio,
Sou muito atirado
Se não dou um pio,
Sou mal educado;

Se pergunto,
Estou sufocando
Se não dou assunto,
Pouco me lixando;

Se desejo,
Sou um cão no cio
Se não dou um beijo,
Estou muito frio;

Se aceito tudo,
Eu sou muito frouxo,
Mas, quando eu pondero,
Não passo de um grosso.

É difícil agradar
E entender o que ela quer.
Eu queria mergulhar
Na cabeça da mulher.

Depois de muito estudar,
Sairia afinal
E tentaria montar
Da mulher um manual.


Vlad Silva

Tela: Donna-con-Ventaglio - Gustav Climt

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