Home Data de criação : 07/02/07 Última atualização : 08/11/05 12:01 / 450 Artigos publicados
 

Sagrada luz! - Mônica Galdino  escrito em quarta 05 novembro 2008 12:01

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Estações do tempo se desenrolam,
num passado longínquo...
De lutas terríveis e inglórias.
Reencontra-se com as mordidas da carne,
na arena dos leões.

Por "sacrilégios" e "adivinhações",
vidas foram ceifadas;
feiticeiras amaldiçoadas;
e, expostas a multidões ensandecidas...
Que aplaudem até o último estremecer.

Extermínio histórico,
que alimentou demônios secretos.
Mas não conseguiu encarcerar,
seres livres e centrados no ser.
Que mantiveram-se na sagrada luz!

Mônica Galdino, 21.06.2008

Tela: Amor Presente - Nela Vicente

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Navegando afora - Fernando A. Troncoso Rocha  escrito em domingo 26 outubro 2008 13:07

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Pobre de mim!
Sou irrequieto e sem berço,
Mas desconheço o direito
Sem eira nem beira
De ser apenas travesso.

Órfão de mim;
Desdenho no além sem medo.
Onde embarga o grito,
Faço arte, faço fantasia
Na terra do vintém,
Deixando rastros além da revoada
Através destas telas do além.

Fernando A. Troncoso Rocha

Tela: Dom Quixote - Utopias - Luiza Caetano

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Auto-Retrato - Samhyr Filipe Reis Pereira  escrito em sábado 25 outubro 2008 13:03


Sou homem forte,
Mas que chora
Grosso muitas vezes
Mas ainda assim refém de amores

Sou alguém com o espírito de fogo
E de coração feroz
Mas domável se me vieres
Com musica e flores

Sou pássaro livre
Que voa alto
Mas por mãos delicadas
Posso ser aprisionado

Eu sou incógnito
Incompreensível
Sou simples
Um livro aberto
Aos olhos dos curiosos

Eu sou apenas
Mais um
Filho de Deus


Samhyr Filipe Reis Pereira

Tela: Bouquet de Fleurs - Marc Chagall

 

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REFLEXO - Hélio W. Taborda  escrito em terça 07 outubro 2008 13:37

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Eu serei simples ou complexo
Reflexo de tudo o que você
quiser que eu seja
O vinho branco sobre a mesa
a sobremesa, depois o café, o cigarro, o licor,
o amor sem pudor
O jarro de flores no canto da sala
A mala que você desarruma
O trato, o retrato
de natureza viva ou morta,
dependurado atrás da porta
A frase escrita certa
em linhas tortas
O feito, o desfeito
O efeito perfeito
A mentira de pernas curtas
A verdade sem castigos
O preferido, o preterido
o seu vestido
O orgulho ferido
O ego, o superego,
O surdo, o mudo que insiste falar
A bengala do cego
O ombro amigo
Prá você chorar
O surto de epidemia
A nostalgia
A volta, a revolta
O contorno das suas curvas
A rua iluminada ou turva
O alegre retorno
Serei tudo isso e mais um pouco
Poeta, advogado e louco
O verso, o reverso da medalha
O talho da navalha a sangrar
na carne sua, nua, crua
Retalhos da sua colcha
Serei profundo, o fundo do poço
A água, o ar, o colar
a enfeitar o seu pescoço
Serei moço, menino de rua
Que chora e logo ri, ignora
a maldade do mundo, imundo
e planta com mãos ingênuas uma flor
plena, serena de amor.

Hélio W. Taborda  

Tela: Starry Night Over the Rhone - Vincent Van Gogh

 

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Vagando no Tempo - Sergio Bittencourt  escrito em domingo 05 outubro 2008 13:32

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Às vezes a vida nos prega peças
que cravadas nas tábuas do nosso coração
nos fere e, inclusive, impede uma boa caminhada
Às vezes me pego pensando no ontem
e descubro em mim um estranho pensante
tentando agarrar o nada em tudo
Às vezes me sucumbo em calmarias
que nem a praia que amo se iguala
fico absorto feito cabrito no pico do morro
Quantas vezes quis sair de mim
e sorrir de mim mesmo, pelas peripécias dos atos
Quantas vezes andei chorando e só
à procura do meu verdadeiro eu
e só encontrei o ego de um poeta triste
Muitas vezes busquei no acaso o caso de amor
como quem caça um tatu escondido na toca
Outras vezes, tantas vezes, me achei perdido
feito um cachorro louco, numa estrada
em curvas
Agora, vislumbro aqui dentro outro alguém
Pronto pra recomeçar e soltar fogos
e, que artifício me faria deixar de olhar o ontem
fitando no hoje o tudo donde vêm respostas?

Sergio Bittencourt

 

Tela: Fun in the Sun VII - Alfred Gockel

 

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